Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/05/2022

O documentário ‘‘Absorvendo o tabu’’ retrata a situação vulnerável de mulheres indianas que, por muito tempo, não tiveram acesso à absorventes. De maneira análoga, essa é a realidade de muitas brasileiras que são atingidas pela pobreza menstrual, com acesso restrito aos itens de higiene e a ausência da educação sobre seu ciclo reprodutivo. Assim, a mentalidade machista e a lacuna legislativa são fatores que contribuem para negligência da saúde feminina.

Nessa perspectiva, a menstruação é vista como um tabu pela sociedade, o que perpetua a vulnerabilidade da mulher. Sob essa ótica, a escritora Simone de Beauvoir diz que: ’’ A representação do mundo é obra dos homens; eles o descrevem a partir do seu ponto de vista’’. Nesse contexto, fica claro que a sociedade possui uma mentalidade misógina, que enxerga o sexo feminino como inferior e incapaz por menstruar. Logo, isso colabora para que a menstruação seja vista como algo ruim e que não deve ser debatido, o que potencializa a precariedade durante o ciclo mensal.

Além disso, a falta de políticas públicas desfavorece o acesso a artigos de higiene. O atual presidente do Brasil Jair Bolsonaro vetou, em 2021, o trecho do projeto de lei que previa a distribuição gratuita de absorventes para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua. Com isso, é evidente que, com a ausência de ações governamentais que garantiriam a mínima dignidade para as mulheres durante a perda de sangue, esse problema está longe de ser solucionado e não é tratado como urgência.

Portanto, o pensamento misógino somado à negligência legislativa enraiza a pobreza menstrual no contexto brasileiro. Desse modo, é papel do governo federal, órgão responsável pelo bem-estar da população, sancionar o projeto de lei já existente e promover a criação de políticas públicas sobre saúde menstrual, por meio de campanhas com o objetivo de garantir o necessário para a plenitude feminina. Além disso, também é dever do governo federal criar programas de rádio e televisão que ensinem e debatam sobre o ciclo da mulher. Só assim, o assunto não será mais um tabu e haverá dignidade durante a menstruação para todas.