Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 27/05/2022
A teoria do “Contato Social”, elaborada pelo filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, sugere que é necessário o cumprimento Estatal do dever de proporcionar uma qualidade de vida digna à população, para que haja o bom funcionamento da sociedade. Porém, no cenário brasileiro, tal objetivo não é alcançado, uma vez que os desafios no combate à pobreza menstrual assombram a rotina de muitas mulheres a partir da menarca. Assim, são causados impactos diretos na educação e na saúde dessas pessoas, devido às condições precárias de higiene menstrual e à ausência dessa parcela da comunidade feminina nos centros educacionais.
Em primeira análise, a pesquisa “Pobreza Menstrual no Brasil”, do Fundo de População das Nações Unidas, mostra que mais de 4 milhões de meninas sofrem com a privação de higiene, que inclui a falta de absorventes. Desse modo, as garotas recorrem à métodos insalubres para conter seus fluxos, como o uso de miolos de pão e folhas de jornal, que as torna propícias a desenvolver infecções bacterianas e fúngicas. Assim sendo, a ausência desse produto íntimo afeta a integridade corporal e o bem-estar, sendo um desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prega a fundamentalidade da boa saúde de todos.
Em adição, observa-se através dos dados da Organização das Nações Unidas que, no Brasil, quatro em cada dez pessoas que menstruam e que estão em estado de pauperismo falta às aulas durante o período menstrual por não terem como conter o sangue, ou por não terem acesso aos remédios aliviadores das fortes cólicas menstruais. Dessa forma, uma grande parcela da juventude feminina se encontra excluída do meio educacional durante a menstruação, fator que coloca essas pessoas em desvantagem, visto que são privadas dos estudos mensalmente, dificultando o ingresso às universidades, para concluir um ensino superior, e a inserção no mercado de trabalho.
Portanto, faz-se necessária a intervenção do Ministério da Saúde para superar os desafios do combate à pobreza menstrual. Esse órgão deve disponibilizar, em todas as escolas públicas e postos de saúde do Brasil, absorventes e remédios para proporcionar às mulheres brasileiras recursos básicos da sáude feminina, e, através dessa medida, a sociedade estará em comunhão com o contratualismo.