Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/05/2022

O documentário “Absorvendo o Tabu”, da plataforma americana Netflix, retrata as dificuldades de mulheres pobres na índia que não tem acesso à produtos de hi-giene usados no período menstrual, como o absorvente. Na realidade brasileira, a pobreza menstrual é uma problemática que está presente na sociedade, motivada, principalmente, por questões financeiras, além da falta de apoio governamental.

Nesse sentido, em uma primeira análise, o principal desafio no combate à pobre-za menstrual é a desigualdade econômica presente no Brasil. Diante disso, de acor-do com dados do relátorio “Livre para Menstruar”, uma mulher gasta entre R$ 3 mil e R$ 8 mil reais ao longo de sua vida com a compra de absorventes. Essa situação representa algo inviável para pessoas que se encontram em situações de vulnera-bilidade social, visto que quase 13% da população vive com menos de R$246 reais por mês - de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas-, fazendo com que esse grupo não tenha acesso à absorventes, essêncial para a higiene feminina no período menstrual.

Em segunda análise, a falta de incentivos governamentais é outro entrave no combate à pobreza menstrual. Como exemplo disso, segundo a Organização das Nações Unidas, o acesso à higiene menstrual é tido como um direito e deve ser tra-tado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Nesse sentido, mosta-se a importância do Estado para a garantia desse direito. Por outro lado, no Brasil não há políticas públicas que auxilíem mulheres de baixa renda no seu perí-odo menstrual, deixando esse grupo em desamparo social.

Logo, torna-se necessária a participação do poder público para reverter essa si-

tuação. Inicialmente, o Ministério da Saúde - através do SUS- deve promover um plano de combate à pobreza menstrual que funcione em todo território nacional, por meio da distribuição gratuita de kits de higiene, contendo absorventes, em centros de saúde municipais, além de escolas públicas, com o intuito de garantir o acesso desses produtos à toda população, principalmente às mulheres em estado de vulnerabilidade social, assim como o direito e dignidade dessa parcela da população.