Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/05/2022
Em 1988, representantes do povo- reunidos em Assembleia Nacional Constituinte- instituíram um Estado democrático, a fim de assegurar a saúde como valor supremo de uma sociedade fraterna. Todavia, a saúde pública do país é ameaçada pela persistência da pobreza menstrual, em especial no que concerne à disparidade socioeconômica e ao estigma enraizado. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.
À vista desse cenário, enquanto o preconceito se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com uma das mais quais formas de violência: a pobreza menstrual. Sob esta ótica iminente, a filósofa judia Hannah Arendt, em sua teoria da “Banalidade do Mal”, argumenta que a atitude preconceituosa passa a ser inconsciente quando os indivíduos normalizam tal situação. Nessa lógica, o tabu em torno da menstruação foi, como defendido por Arendt, normalizado, então, como a sociedade não discute o tema, o problema é negligenciado pelo país. Dessarte, revela-se a imprescindibilidade de ampliar a discussão sobre saúde menstrual.
Outrossim, a desigualdade econômica motiva a falta de saúde menstrual. Consoante a isso, a senadora Zeneide Maia estima que o gasto por ciclo menstrual chega a 30 reais, em um país no qual 13% da população vive com menos de 246 reais por mês. De maneira análoga, o acesso à saúde básica é negado a essa parcela da população, pois, o acesso a itens de higiene, como absorventes, tornam-se privilégio. Destarte, é medular combater a privação de higiene às pessoas que menstruam.
Portanto, com o fito de combater a pobreza menstrual no Brasil, o Ministério da Saúde, responsável pela saúde pública, deve garantir a segurança menstrual dos cidadãos, por intermédio da distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde e espaços públicos, como escolas. Ademais, livretos informativos seriam distribuídos junto com os absorventes, para estimular e discussão e naturalização do tema. Assim, a saúde será garantida como valor supremo no país.