Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/05/2022
Embora a higiene mentrual seja considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) um direito, o qual deve ser tratado enquanto uma questão de saúde pública, no Brasil isso não ocorre na prática. Dessa forma, os desafios no combate à pobreza menstrual vão desde a negligência estatal até a desigualdade social que ainda assola o país.
Nesse sentido, em primeira análise, é importante compreender que a pobreza menstrual diz respeito à falta de recursos básicos, de infraestrutura adequada e de conhecimento. Ou seja, para uma plena capacidade de cuidar da sua menstruação, é preciso ter acesso, por exemplo, aos absorventes ou coletores menstruais, aos itens de higiene, a banheiros seguros, à água e ao saneamento básico. Além disso, ainda existe um tabu acerca do assunto, o qual é pouco discutido na sociedade e nas políticas públicas brasileiras, indicando assim a negliência do Estado no tratamento do tema. Isso acontece porque a estrutura ainda é pensada por homens e para homens, resultando na desigualdade de direitos e oportunidades.
Em segunda análise, a percepção desse desequilíbrio no acesso aos direitos básicos passa principalmente pela desigualdade social no país. Prova disso é que, de acordo com a senadora Zenaide Maia, estima-se um gasto de 30 reais por período menstrual e que isso pode ser considerado caro, pois cerca de 13% da população brasileira vive com menos de 246 reais por mês. Diante disso, combater a paupérie menstrual em um infeliz contexto de falta de dinheiro para comprar, inclusive, comida, é um desafio, pois absorventes passam a ser considerados itens de luxo. E o resultado disso é a de mais desigualdade, pois meninas e mulheres abandonam escolas e trabalhos devido à falta de recursos.
Assim, para que os desafios do combate à pobreza menstrual sejam atenuados, é necessário garantir, pelo Estado, a aplicação de projeto de lei recentemente aprovado, que prevê a distribuição de absorventes e coletores menstruais gratuitamente em postos de saúde e unidades prisionais, de forma a assegurar o direito previsto pela ONU. Além disso, as instituições de ensino podem fomentar o debate acerca do assunto, em palestras elucidativas, de forma a quebrar o tabu sobre o tema, de maneira a prover conhecimento e segurança para as meninas.