Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 25/05/2022
Materiais das mais diversas procedências, como papéis, folhas e panos, são utilizados por inúmeras brasileiras durante a menstruação por falta de recursos para adquirir produtos adequados. Sob essa ótica, percebe-se que a pobreza menstrual, infelizmente, perdura no Brasil. Nesse sentido, entre as principais afetadas estão as pessoas com útero de classes sociais mais baixas, as quais não têm renda para a compra de aparatos para conter a menstruação. Por conta disso, durante o período menstrual muitas dessas pessoas ausentam-se das aulas.
Diante do exposto, é importante salientar que muitas famílias não têm dinheiro suficiente nem para moradia e alimentação, por isso, veem a compra de itens de higiene como absorventes um gasto totalmente fora da realidade, obrigando as pessoas que menstruam do núcleo familiar a recorrerem a outros métodos durante o sangramento. Nesse contexto, salienta-se a estimativa da senadora Zenaide Maia, do Partido Republicano da Ordem Social do Rio Grande do Norte, que para cerca de 13% da população o gasto por ciclo menstrual é aproximadamente 12% da renda mensal, o que é impossível arcar, logo, realmente não é feito.
Consequententemente, por conta da falta de utensílios para conter a menstruação, ou a precariedade dos materiais substitutivos utilizados, muitas dessas meninas se fazem ausentes da escola durante tal período. Diante disso, destaca-se um levantamento realizado pelo Ensino Social Profissionalizante mostrou que pelo menos 20% de jovens entre 14 e 24 anos já deixaram de ir à escola por falta de absorvente. Logo, é perceptível que tais números são preocupantes e é inadmissível que esse cenário perdure.
É evidente, portanto, a necessidade de medidas que revertam o quadro de pobreza menstrual tão presente no Brasil. Para tanto, o Ministério da Saúde deve garantir o fornecimento gratuito de absorventes para mulheres carentes, por meio de auxílios governamentais, a fim de garantir acesso à itens para conter a menstruação para a todas as pessoas com útero no Brasil, garantindo assim uma sociedade mais igualitária.