Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/05/2022
A teoria do “Contrato Social”, elaborada pelo filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau, sugere que é necessário o cumprimento Estatal do dever de proporcionar uma qualidade de vida digna à população, para que haja o bom funcionamento da sociedade. Porém, no cenário brasileiro, tal objetivo não é alcançado, uma vez que os desafios no combate à pobreza menstrual assombram a rotina de muitas mulheres a partir da menarca. Assim, são causados impactos diretos na educação e na saúde dessas pessoas, devido às condições precárias de higiene menstrual e à ausência dessa parcela da comunidade feminina nos centros educacionais.
Em primeira análise, a pesquisa “Pobreza Menstrual no Brasil”, do Fundo de População das Nações Unidas, mostra que mais de 4 milhões de meninas sofrem com a privação de higiene, que inclui a falta de absorventes. Desse modo, as garotas recorrem a métodos insalubres para conter seus fluxos, como o uso de miolos de pão e folhas de jornal, que as tornam propícias a desenvolver infecções bacterianas e fúngicas. Assim sendo, a ausência desse produto íntimo afeta a integridade corporal e o bem-estar, sendo um desrespeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prega a fundamentalidade da boa saúde de todos.
Em adição, ao observar os dados da Organização das Nações Unidas, fica evidente que, no Brasil, quatro em cada dez meninas em estado de pauperismo faltam às aulas durante o período menstrual por não terem como conter o sangue ou por não terem acesso aos remédios aliviadores das fortes cólicas menstruais. Dessa forma, uma grande parcela da juventude feminina se encontra excluída do meio educacional durante a menstruação, fator que coloca essas pessoas em desvantagem, visto que são privadas dos estudos mensalmente, dificultando o ingresso às universidades e a inserção no mercado de trabalho.
Portanto, diante dos fatores relatados, faz-se necessária a intervenção do Ministério da Saúde para superar os desafios do combate à pobreza menstrual. Esse órgão deve disponibilizar, em todas as escolas públicas e postos de saúde do brasil, absorventes e remédios para proporcionar às mulheres brasileiras recursos básicos da saúde feminina. Em síntese, com essa medida, esse grupo poderá exercer seus direitos e o Brasil estará em comunhão com o contratualismo.