Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 31/05/2022
No ano de 2020, a Escócia foi o primeiro país no mundo a oferecer produtos menstruais de forma gratuita. Não obstante, na realidade brasileira isso não ocorre, já que 4 milhões de meninas não têm acesso a itens básicos de cuidados menstruais, como apurou uma pesquisa realizada pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF). Desse modo, analisa-se que esse fato decorre devido às desigualdades sociais existentes, as quais se somam ao descaso do Poder Público.
De início, é notório destacar que essa problemática é a soma da ausência de dinheiro com a falta de informação, uma vez que acomete as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, cerca de 13%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, nota-se que muitas garotas perdem aulas no período menstrual por não terem acesso a absorventes, o que pode gerar evasão escolar e intensificar o estigma associado ao tema. Analogamente, o documentário “Absorvendo o tabu”, da Netflix, retrata o quanto itens de higiene menstrual fazem diferença para o dia a dia das meninas que lidam com essa realidade.
Ademais, vale mencionar que o descaso do Poder Público intensifica a questão no Brasil, haja vista que não há uma medida nacional para combater a pobreza menstrual. Nesse sentido, reitera-se que há o descumprimento da legislação vigente, a Constituição de 1988, a qual prevê acesso à saúde para todos, o que destoa da condição de muitas jovens no país. Logo, analisa-se o quanto é grave essa celeuma no Brasil.
Portanto, medidas urgem para atenuar essa problemática no território brasileiro. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Saúde sejam agentes do programa nacional de enfrentamento à pobreza menstrual promovido pelo Estado. Nesse ínterim, o objetivo é conscientizar os jovens acerca do tema, com informações corretas, trabalhadas de forma lúdica, por meio de palestras, com médicos, no âmbito escolar. Além disso, o Governo deve realizar a distribuição gratuita de absorventes em escolas e postos de saúde para melhorar o acesso ao item de higiene. Enfim, diante dessas ações, o Brasil poderá seguir os passos da Escócia relativo à questão.