Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 13/06/2022

No século XX, a expansão do movimento feminista propiciou avanços, no que concernem à igualdade entre os gêneros e aos direitos femininos. Apesar do progresso atingido, no Brasil, a pobreza menstrual ainda constitui um entrave. Nesse sentido, é válido destacar os desafios no combate desse problema, os quais tangem à inobservância estatal e ocasionam evasão escolar. Diante disso, torna-se fulcral o debate acerca do tema.

Sob esse viés, nota-se que a negligência do Estado tem papel fundamental na manutenção da miséria menstrual. Nessa perspectiva, em 1988, a promulgação da Constituição Cidadã garantiu ao povo brasileiro o direito à saúde e à dignidade. No entanto, é evidenciada a ineficiência desse estatuto, uma vez que a carência de uma ação governamental eficaz dificulta, por exemplo, o acesso de pessoas desfavorecidas economicamente a absorventes. Por conseguinte, a falta de higiene na menstruação facilita o surgimento de infecções, as quais, a médio prazo, poderão gerar aumento nos gastos do setor de saúde. Portanto, é importante a reformulação dessa postura estatal.

Ademais, o abandono da vida acadêmica durante o ciclo menstrual é um contratempo ainda recorrente no corpo social brasileiro. Conforme o filósofo pernambucano Paulo Freire, a educação é uma ferramenta de transformação social. Sob essa ótica, a baixa circulação de informações sobre menstruação, temática ainda tratada como tabu, também gera dificuldades em administrar tal período. Assim, isso possibilita o surgimento de inseguranças, queda de autoestima e causa evasão escolar de jovens, o que, em consonância com o conceito de Freire, torna impossível a mudança da realidade deles e perpetuam o ciclo de pobreza. Destarte, faz-se mister a coibição desse panorama.

Isso posto, torna-se imprescindível a adoção de medidas, a fim de mitigar essa problemática. Compete ao Ministério da Saúde, por meio do redirecionamento de verbas, realizar a distribuição de itens de higiene menstrual, como absorventes, impreterivelmente, de forma a assegurar salubridade às comunidades carentes. Logo, a adversidade será revertida e o feminismo haverá atingido mais uma vitória em sua busca por igualdade.