Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 14/06/2022

De acordo com o site jornalístico “CNN brasil”, mais de quatro milhões de garotas não tem disponibilidade de cuidados menstruais no país. Nesse contexto, o problema da pobreza menstrual na sociedade brasileira é mais comum do que o imaginado, além de estender-se às casas e aos locais de trabalho dessas meninas. Nesse sentido, são evidentes problemáticas relacionadas ao silenciamento mediante ao tema e à insuficiência legislativa.

Em primeiro plano, há a questão do silenciamento. Segundo o filósofo Pierre Bourdieu, “o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Dessa forma, pode-se afirmar que a mídia e a própria população brasileira ao oprimirem fortemente o debate a respeito da menstruação, uma vez que a tratam como um tabu, impedem cada vez mais a democratização ao acesso a produtos como absorventes, tampões e coletores menstruais. Assim, mulheres e adolescentes sem condições de adquiri-los não conseguem ter espaço social suficiente para exigi-los do governo.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a insuficiência legislativa. Conforme a lei pertencente à Constituição Federal de 1988, é garantida a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. Desse modo, essa lei é contraditória com a situação da pobreza menstrual no país, pois a integridade física de muitas garotas não são garantidas, já que não há uma lei definida para a distribuição gratuita de higiene menstrual em escolas públicas nem em postos de saúde. Portanto, mulheres de baixa renda dependem apenas de campanhas realizadas por ONG´S, (Organizações não Governamentais), para conseguir produtos menstruais, os quais deveriam ser delas por direito.

Diante disso, uma solução faz-se necessária. Para isso, o Poder Legislativo deveria criar uma lei, através do voto popular, a qual garante a distribuição gratuita de absorventes, coletores e tampões à mulheres pobres, a fim de democratizar o acesso a esses produtos. Ademais, a mídia, por meio das redes sociais como Instagram e Facebook, deveriam realizar campanhas de forma a explicar o que é pobreza menstrual para quebrar o tabu ao redor do tema. Em suma, o Brasil será um país que garante a integridade de suas mulheres, em todos os sentidos.