Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 30/06/2022
A Constituição Federal brasileira, promulgada em 1988, prevê que o acesso à saúde de qualidade é um direito de todo cidadão brasileiro e visa, antes de tudo, à prevenção de doenças. Entretanto, na prática, a ausência de políticas públicas para reduzir a pobreza menstrual coloca em risco a saúde mulheres brasileiras, especi-almente as mais pobres, e tem a falta de debate como um de seus principais obstá-culos. É cabível, sob essa perspectiva, analisar tais aspectos e criar medidas que solucionem a mazela no país.
Inicialmente, é válido destacar que o Brasil ainda é pouco voltado à prevenção de enfermidades, algo que contradiz a própria Carta Magna. Para isso, o oncolo-gista brasileiro Drauzio Varella defende que “o Brasil ainda é focado no tratamento de doenças, quando deveria ser focado em sua prevenção”. De fato, o não forne-cimento de absorventes gratuitos ou a criação de infraestrutura adequada poten-cializa o risco de afecções decorrentes da falta de higiene feminina, principalmente entre classes mais baixas, o que põe em risco o bem-estar dessa minoria social e eleva as despesas públicas com seu tratamento.
Ademais, a falta de discussão sobre a questão dificulta a tomada de medidas governamentais para sua solução. Como exemplo, a série norte-americana “Sex Education” exibe o desconforto dos estudantes em um episódio no qual o diretor de sua escola explana a temática, em um comunicado geral sobre a saúde feminina e o uso de absorventes. Tal cena reflete a realidade brasileira, sob a ótica de que o tema ainda é visto como impróprio pela maioria dos cidadãos, o que, por reduzir sua visibilidade, contribui para a falta de políticas públicas que o solucionem.
Urge, portanto, que o Governo Federal tome iniciativas para reduzir os efeitos da problemática no Brasil. Para tal, ele pode agir por meio do Ministério da Saúde e apresentar, nas instituições de ensino, palestras que abordem o tema de maneira construtiva, além de fornecer absorventes gratuitos à todas as mulheres, especial-mente às em situação de rua, a fim de encarar os obstáculos supracitados. Desse modo, será possível “quebrar o tabu” sobre o tópico e enfrentar os desafios da po-breza menstual no Brasil.