Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 12/07/2022

O documentário “Absorvendo o Tabu”, retrata a dificuldade que as mulheres da Índia enfrentam para a obtenção de absorventes, em virtude do estigma relacionado a menstruação. De maneira análoga, no Brasil, a realidade hodiernamente é semelhante no que tange aos desafios no combate à pobreza menstrual. Urge, portanto, a análise de causas que fomentam esse revés, dentre as quais se destacam o alto preço dos absorventes e a falta de saneamento básico.

Em primeira análise, é fulcral pontuar o alto preço dos absorventes como principal promotor do problema. Segundo uma pesquisa realizada pela marca “Always”, em algum momento da vida, 29% das entrevistadas não tiveram dinheiro para comprar produtos higiênicos, como absorvente e sabonete íntimo, voltado ao período menstrual,e que tiveram que substituir o absorvente por soluções alternativas, com destaque para o papel higiênico. Dessa forma, é perceptível que o alto preço do penso higiênico contribui para o aumento da pobreza menstrual no país.

Ademais, é válido salientar a falta de saneamento básico como impulsionador do empecilho. O livro “Quarto de Despejo”, escrito por Carolina de Jesus, retrata a luta de uma comunidade para conquistar o direito ao tratamento de esgoto e melhores condições de vida. Fora da obra, essa ainda é uma realidade para grande parcela da população, visto que, segundo a “CNN Brasil”, 900 mil meninas não possui acesso a água canalizada em seus domicílios. Nessa perspectiva, é notório que a falta de saneamento básico impossibilita uma higiene adequada no período menstrual, colaborando para o agravamento do quadro.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para resolver o problema. Dessarte, com o intuito de amenizar a pobreza menstrual na nação, é necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Saúde, seja revertido na distribuição gratuita de absorvente em escolas e unidades básicas de saúde, principalmente em áreas marginalizadas no país, como a região Norte e Nordeste. Somente assim, atenuar-se-á em médio e longo prazo o impacto nocivo do problema, e a sociedade se afastará da realidade apresentada em “Absorvendo o Tabu”.