Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 08/07/2022

A pintura expressionista “O Grito”, de Edvard Munch, representa, por meio de uma figura andrógena, as angústias sociais. Hordienamente, essas angústias podem ser relacionadas com a pobreza menstrual no Brasil. Dessa forma, essa realidade se deve à negligência estatal e à falta de debate acerca do tema.

Primeiramente, ressalta-se a indiligência governamental. Conforme a “Teoria da Percepção Coletiva”, de Émile Durkheim, o fato social se divide em normal e patológico. Nesse sentido, o Estado está em âmbito patológico, em crise, um vez que apresenta tendência em não investir em projetos que assegurem o combate da pobreza menstrual, tendência essa que se manifestou explicitamente quando o presidente brasileiro Jair Bolsonaro vetou a lei que promovia a distribuição gratuita de absorventes íntimos. Consequentemente, sem o apoio do governo, se torna quase impossível a diminuição da problemática.

Ademais, destaca-se a carência de discussão sobre a pauta. Segundo Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Contudo, instituições educacionais e a sociedade como um todo faltam em debater sobre a falta de higiene íntima feminina, já que o tema é considerado um tabu, visto que, no país, ainda existe aversão em falar sobre a menstruação.

Portanto, a fim de diminuir os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, é imprescindível que o poder público crie projetos que distribuam, gratuitamente, kits de higienização pessoal para as mulheres, com o intuito de minimizar as dificuldades que rondam o tema. Além disso, as escolas devem promover palestras destinadas às alunas e suas mães, levando informações sobre o que é e como agir sobre o tópico. Só assim, a obra de Munch poderá ser desvinculada dessa realidade.