Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/09/2022

A pobreza menstrual está presente na vida de diversas pessoas e é, indubitavelmente, um problema de extrema relevância na conjuntura atual. Essa problemática diz respeito a, não só mulheres, mas todas as pessoas com útero, incluindo pessoas transgênero, muitas vezes excluídas. Além disso, ela também tange o âmbito escolar, atingindo o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.

Em primeiro lugar, pessoas transgênero são historicamente perseguidas e excluídas da sociedade. Apesar disso, nos últimos anos elas têm sido reconhecidas, assumindo posições de destaque em áreas de influência social e política, como acontece com a deputada federal paulista Erika Hilton. Tendo isso em vista, pessoas trans que possuem um útero não podem ser excluídas da luta contra a pobreza menstrual, já que também são afetadas e prejudicadas por esse problema, apesar de terem vivências diferentes com relação a seu gênero, o que garante a interseccionalidade de reivindicações de direitos.

Ademais, em sua obra Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire apresenta o conceito de educação libertadora - um ensino justo, igualitário e que desenvolve a consciência crítica. Nesse princípio, entende-se que para que a educação libertadora nas escolas seja efetiva, é preciso que os estudantes tenham acesso a direitos básicos como saúde de qualidade, incluindo, então, acesso a itens de higiene pessoal, como absorventes. Portanto, conclui-se que se não for possível que os estudantes tenham acesso a higiene menstrual básica, o aprendizado vai ser, por consequência, afetado negativamente.

Dessa forma, para aliviar os efeitos da transfobia na comunidade transgênero, vê-se necessário que, por meio de campanhas nos meios de comunicação, os líderes das massas populares que lutam pelo fim da pobreza menstrual se organizem e incluam pessoas transgênero através de termos como “pessoas com útero”, que se alinham às pautas da comunidade. Ainda, é imprescindível que as escolas, mediante financiamento governamental, criem projetos sociais voltados para a distribuição gratuita de absorventes a todas as pessoas, a fim de mitigar a pobreza menstrual e garantir uma educação libertadora efetiva.