Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 22/07/2022

Segundo dados da ONU, Organização das Nações Unidas, no Brasil 1 em cada 4 estudantes já deixaram de ir à escola por conta do ciclo menstrual. Em virtude do elevado custo dos absorventes e produtos de higiene pessoal, os cuidados com a saúde íntima são considerados luxos ao comparar com a alimentação. Além disso, por grande parte das pessoas com poder político ser constituído por homens, não há muitas ações por parte do Estado para a melhora nas condições da saúde feminina. Logo, é necessário discussão acerca dessa problemática.

O filme “Pad Man”, baseado em uma história real, retrata a jornada de um homem indiano que ao perceber que as mulheres sofrem pelo preço do absorvente, decide que vai produzi-los com custos acessíveis. Apesar do fato ter ocorrido na Índia, no Brasil essa é a realidade de muitas pessoas que menstruam. Uma vez que para cada ciclo menstrual é necessário desembolsar cerca de 30 reais por mês, as pessoas de baixa renda, são obrigadas reter aquele sangue de outras maneiras não higiênicas, sendo propenso a causar diversos problemas de saúde, sendo um deles a síndrome de choque tóxico que pode levar à morte.

Ademais, apesar da Constituição Federal garantir o direito à saúde e a qualidade de vida, a menstruação é considerada sem muita importância para o bem-estar da coletividade. Visto que a sociedade é patriarcal e para uma mulher ter a sua voz ouvida é extremamente difícil, o ciclo menstrual, por fazer parte de indivíduos que foram considerados seres inferiores por séculos, é totalmente ignorado. Assim, leva a falta de políticas públicas acerca da pobreza menstrual, que possivelmente se obstaculizasse os homens, existiria um panorama totalmente diferente.

Portanto, medidas são necessárias para o combate à pobreza menstrual. Posto isso, cabe ao Ministério da Saúde, através de projetos de leis, disponibilizar absorventes para pessoas com baixo poder econômico, como também estruturas adequadas para a higienização. Além disso, em parceria com profissionais da saúde, promover palestras em escolas e universidades, abertas ao público, sobre a menstruação para que a população entenda a importância de se falar sobre esse assunto. Espera-se que desse modo, o sofrimento das pessoas que menstruam diminua e assim consigam viver com qualidade de vida no Brasil.