Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/07/2022

Apesar da evolução social e científica alcançada na atualidade, a ocorrência dos desafios ao combate pobreza menstrual ainda se apresenta como um entrave no Brasil. Baseado nisso, é evidente que esse impasse esteja associado não só a negligência estatal, mas também a falha educacional do corpo social.

Inicialmente, cabe ressaltar que o desinteresse governamental é a causa principal do problema. Sob essa ótica, a antropóloga Lilia Schwarcz afirma que há a prática de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não recebem a visibilidade necessárias. Nesse sentido, o governo não realiza investimentos que visem distribuir itens de higiene menstrual para mulheres em situação de vulnerabilidade porque tal ação resultaria no aumento de gastos com a saúde pública, mesmo que, de acordo com o artigo 196 da Constituição de 1988, a saúde seja um direito de todos e um dever do Estado, por meio de medidas públicas. Desse modo, por passividade do governo, a problemática é mantida.

Outrossim, a falta de conhecimento sobre o assunto também se apresenta como um desafio. Sob essa perspectiva, como teorizado pelo economista José Murilo de Carvalho, observa-se a formação de uma “cidadania operária”, a qual não tem acesso ao conhecimento da existência de assuntos como a pobreza menstrual e as possíveis soluções para causa. Assim, por não ser estimulado a desenvolver o pensamento crítico devido a negligência do aprendizado de temas transversais, o corpo social não combate a questão pois foi idealizado para apenas ser explorado.

Portanto, medidas são necessárias para mudar o atual cenário brasileiro. Cabe ao Ministério da Saúde, em conjunto ao Ministério da Educação, investir em palestras nas escolas, realizadas por médicos e enfermeiros, que versem sobre os cuidados com a higiene íntima e o período menstrual feminino, além de distribuir absorventes descartáveis e coletores menstruais, tanto nas escolas, como nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Feito isso, o problema será mitigado e a nossa nação evoluirá ainda mais.