Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 01/08/2022

No curta-metragem “Absorvendo o tabu”, retrata-se a persistência do estigma da menstruação na Índia rural, na qual mulheres produzem absorventes de baixo custo em uma máquina e buscam a independência financeira. Nesse prisma, essa aversão perdura na sociedade hodierna, visto que a desigualdade social e a negligência governamental intensificam essa situação. Torna-se necessária, portanto, a análise desse panorama.

Nesse cenário, é fundamental pontuar a desigualdade social como causa expressa do revés, posto que milhares de mulheres não possuem acesso aos recursos necessários. Segundo um levantamento realizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), cerca de 4 milhões de meninas sofrem com pelo menos uma privação de higiene, e isso inclui a falta de acesso a absorventes e banheiros com sabonetes. Assim, é notória a precariedade em que essas pessoas vivem, além de não poderem usufruir dos seus direitos básicos.

Ademais, é imperativo ressaltar que a negligência governamental é causa secundária do problema. Nessa perspectiva, é evidente o descaso do governo em relação à menstruação, uma vez que não promove a distribuição de produtos necessários para higiene básica para mulheres e nem realiza políticas públicas para uma solução. Outrossim, este tema não é abordado nas escolas de forma pacífica, e dessa maneira, as crianças crescem sem conhecimento do assunto. Essa situação é caótica, contudo mutável.

Em face do exposto, é patente a insuficiência em relação ao acesso a recursos básicos de higiene, assim é fundamental que medidas sejam tomadas para a reversão dessa problemática. Para isso, é necessário que o governo, instância de maior poder de decisão política, promova campanhas por meio de políticas públicas para a dignidade menstrual, com o intuito de fornecer itens de higiene e absorventes como necessidade básica. Dessarte, tais atitudes estarão de acordo com o que garante a Carta Magna.