Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 07/08/2022

Na obra “Utopia” do escritor Inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, no qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade brasileira, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a pobreza menstrual perpetua-se nasociedade,apresenta assim, barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Nesse contexto, esse cenário antagônico é fruto tanto dos estigmas associados, quanto da carência de acesso a itens básicos.

Diante dessa analise, é fulcral pontuar de início que o tabu presente no corpo social propicia a eclosão da pobreza menstrual. Dessa modo, apesar de ser normal o ciclo menstrual feminino, ainda existem estigmas relacionados, a exemplo, durante esse período a mulher é vista como impura ou é tratada como enferma. Nesse sentido, tal pensamento sucede do legado histórico deixado pela Era Medieval- período da história entre os séculos V e XV, no qual menstruar era considerado algo imundo, poluído e alguns medicos acreditavam que era uma doença que precisava ser tratada. Portanto, a lacuna nociva deixada pela Idade Média ainda reflete nos dias contemporâneo, sendo necessário então, trazer à luz esse debate,desmistificando-o.

Outrossim, é imperioso salientar que o difícil acesso a itens de higiene feminino contribui para o aumento da pobreza menstrual. Consoante a teoria do Contrato Social do filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Entretanto, devido à falta de atuação das autoridades, mulheres socioeconômicamentes vulneráveis, vivem em situações precárias de higiene, pois pela sua condição financeira não conseguem comprar os produtos como absorventes ou coletores menstruais. Nesse percepção, nota-se que o entrave é uma questão de saúde pública, sendo importante o investimento das autoridades nesse âmbito.