Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 29/08/2022

No livro “Presos que menstruam" da jornalista Nana Queiroz, é retratada a desigualdade e a violação dos direitos básicos das mulheres encarceradas, a exemplo da falta de absorventes e materiais necessários para a higiene feminina. Tal fato reflete a realidade brasileira, tendo em vista os inúmeros desafios para combater à pobreza menstrual no país. Nesse sentido, é neces-sário analisar esse cenário, intrinsecamente ligado a aspectos sociais e econômicos.

Deve-se pontuar, antes de tudo, que a menstruação ainda é um tabu no Brasil. Acerca dessa lógica, é importante destacar que o patriarcalismo e os preceitos estabelecidos por grande par-te da sociedade contribuem para a desinformação das meninas e adolescentes sobre a mens-truação e o funcionamento do ciclo menstrual. Somado a isso, segundo dados publicados pela UNICEF no documentário “Pobreza Menstrual no Brasil”, 4 milhões de meninas não tem acesso a itens básicos de cuidados menstruais na escola – como absorventes, sabonetes, papel higiê-nico. Consequentemente, essas deixam de frequentar a escola durante o período menstrual, o que pode atrapalhar a formação educacional. Sendo assim, compreende-se a necessidade de mitigar esse tabu e promover o acesso aos itens básico nas escolas brasileiras.

Outrossim, é válido ressaltar que as desigualdades econômicas agravam a pobreza menstrual no Brasil. Sob essa ótica, nota-se que devido o alto preço dos absorventes e produtos de higiene feminina e a crescente desigualdade econômica entre os mais e menos abastados, esses pro-dutos passam a se considerados artigos de luxo. Sendo assim, sem acesso a esses materiais, as mulheres utilizam folhas de jornal, miolo de pão e pedaços de tecido para substituir os absor-ventes, podendo ter infecções, doenças e até perder a fertilidade assim como é relatado no li-vro “Presos que menstruam". Logo, percebe-se a importância de combater essa problemática na sociedade brasileira.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para melhorar o quadro atual. Des-se modo, cabe ao Ministério da Educação junto ao Ministério da Saúde e às escolas, investir em aulas de educação sexual e garantir o acesso a itens básicos de cuidados menstruais nas esco-las, por meio de verbas e políticas públicas eficazes. Ademais, o Ministério da Mulher, da Famí-lia e dos Direitos Humanos e o Ministério da Saúde, devem criar campanhas de distribuição de absorventes em postos de saúde, escolas e localidades menos abastadas de todo o território nacional.Para que, assim, as meninas e mulheres brasileiras possam ter acesso à informação, tenham seus direitos garantidos e a poreza menstrual seja erradicada no Brasil.