Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 02/09/2022

A observação crítica dos fatos atuais revela que, lamentavelmente, em regiões pobres e periféricas do Brasil, há a problemática das consequências da pobreza menstrual e falar sobre o corpo feminino é, na maioria dos espaços, um tabu. Dessa forma, tal situação atenua direitos básicos da mulher. De certo, é inegável que a cultura patriarcal influencia a falta de acesso e informação a itens higiênicos femininos, no qual são elitizados, fazendo-se necessário um olhar crítico de enfrentamento.

Nesse sentido, de acordo com a jornalista Renata Lo Prete do site G1 e OGLOBO , as adolescentes são, em grande parte, afetadas por esse tabu criado pela falocracia, que culmina em sentimento de vergonha por parte das meninas e deboche por parte dos meninos. Consoante a essa situação, é visto que o poder governamental, majoritariamente, é composto de homens, que consequentemente inibe o desenvolvimento dos direitos da mulher, a exemplo do presidente da República que em 2022, vetou a distribuição grátis de absorventes para a populaçao mais pobre.

Além disso, vale ressaltar ainda, a negligência do Estado com a educação sobre a saúde da mulher, uma vez que grande parte da sociedade brasileira não tem informação sobre as consequências da pobreza menstrual no Brasil. Por conseguinte, estimula a propensão a doenças como candidíase e infecções vaginais, que perpetuam entre as gerações por falta de conhecimento básico higienístico, refletindo o descaso do sistema político misógeno atual no país, que contraria o ideal da literatura Romântica, no qual a mulher era retrato de cuidado e pureza.

Portanto, para diminuir as consequências da pobreza menstrual no Brasil, o Estado deve agir. Dessa maneira, o Poder Executivo, junto ao Ministério da Saúde, deve investir severamente em conhecimento técnico-científico para a produção, em escala nacional, de absorventes baratos e gratuitos, como o feito por estudantes do Instituto Federal do Rio Grande do Sul em 2022, que produziram tal utensílio biodegradável por R$0,02, revolucionando o potencial acesso a esse produto, com o fito de diminuir doenças e tabus sobre o assunto.