Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 08/09/2022
No livro “Presos que menstruam", da jornalista Nana Queiroz, é retratada a desigualdade e a violação dos direitos básicos das mulheres encarceradas, a exemplo da falta de absorventes e materiais necessários para a higiene feminina. Tal fato reflete a realidade brasileira, tendo em vista os inúmeros desafios para combater A pobreza menstrual no país. Nesse sentido, é necessário analisar esse cenário, intrinsecamente ligado a aspectos sociais e econômicos.
Deve-se pontuar, antes de tudo, que a menstruação ainda é um tabu no Brasil. Acerca dessa lógica, é importante destacar que o patriarcalismo e os preceitos estabelecidos por grande parte da sociedade contribuem para a desinformação das meninas e adolescentes sobre a menstruação e o funcionamento do ciclo menstrual. Somado a isso, segundo dados publicados pela UNICEF no documentário “Pobreza Menstrual no Brasil”, quatro milhões de meninas não tem acesso a itens básicos de cuidados menstruais na escola – como absorventes, sabonetes, papel higiênico. Consequentemente, essas deixam de frequentar a escola durante o período menstrual, o que pode atrapalhar a formação educacional. Sendo assim, compreende-se a necessidade de mitigar esse tabu e promover o acesso aos itens básico nas escolas brasileiras.
Outrossim, é válido ressaltar que as desigualdades econômicas agravam a pobreza menstrual no Brasil. Sob essa ótica, nota-se que devido ao alto preço dos absorventes e produtos de higiene feminina e a crescente desigualdade econômica entre os mais e menos abastados, esses produtos passam a se considerados artigos de luxo. Sendo assim, sem acesso a esses materiais, as mulheres utilizam folhas de jornal, miolo de pão e pedaços de tecido para substituir os absorventes, podendo ter infecções, doenças e até perder a fertilidade assim como é relatado no livro “Presos que menstruam". Logo, percebe-se a importância de combater essa problemática na sociedade brasileira.