Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/09/2022
Na idade média, a menstruação era estigmatizada como um sangue venenoso, e por falta de acessibilidade em outros recursos, as mulheres tinham que utilizar tecidos para contê-lo. Nesse contexto, na realidade brasileira, ainda usa-se jornal, pedaços de pano ou folhas de árvores de forma improvisada no lugar de um absorvente. Assim, tem-se um delicado problema, devido à pobreza menstrual no Brasil, que tem como principais causas o preconceito social e negligência governamental.
Dessa forma, em primeira análise, a rejeição da sociedade e perseguição com as mulheres é um desafio presente no problema. O documentário “Absorvendo o tabu”, da Netflix, mostra como a menstruação é um tabu na Índia, onde mulheres são consideradas impuras e sujas, e homens tratam como se fosse uma doença. Da mesma forma, é esse pensamento enraizado na sociedade que se propaga desde os princípios da humanidade. Segundo Djamilla Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Sendo assim, enquanto houver o silenciamento e essa questão não for discutida abertamente, os problemas permanecerão.
Em paralelo, o descaso por parte de órgãos governamentais é um entrave no que tange o problema. Desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera o acesso à higiene menstrual um direito que precisa ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Em contrapartida, é nítido que esse direito não é assegurado, visto que itens básicos e necessários para mulheres no seu ciclo menstrual, como absorventes femininos, são considerados “luxo”, em virtude da condição financeira de um quarto da população brasileira, que vivem em extrema pobreza.
Tendo esses pontos em vista, é indispensável intervir sobre a questão da pobreza menstrual. Para isso, o Ministério da Educação deve promover palestras, aulas e campanhas de educação sexual e funcionamento do ciclo menstrual feminino, pois falar sobre esse tema com meninas e meninos, tirará esse assunto da invisibilidade e acabará com o tabu estabelecido socialmente. Além disso, o Governo federal em parceria com o Ministério da Saúde deve destinar verbas para que o acesso a itens como absorventes femininos, tampões íntimos e coletores menstruais sejam distribuídos gratuitamente em postos de saúde e nas unidades prisionais.