Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/09/2022

Há 8 anos, foi definido, na Alemanha, o dia 28 de maio como Dia Internacional da Dignidade Menstrual. Embora tenha se tornado um marco na luta pelo pleno acesso à práticas de higiene e conhecimento acerca desse fenômeno biológico natural, a realidade brasileira ainda é crítica; milhares de mulheres não têm o mínimo para cuidar de si durante esse período. Diante dessa perspectiva, não há dúvidas de que o combate à pobreza menstrual ainda é um grande desafio para o Brasil; o qual tem como fator determinante não só o estigma em discutir sobre saúde menstrual como também as condições precárias das pessoas em vulnerabilidade social.

Em princípio, é indubitável que o tabu da sociedade referente a menstruação só coloca meninas e mulheres em situação de constrangimento e risco. Nesse prisma, segundo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) mais de mil jovens sentem vergonha por estarem menstruada em determinados ambientes e optam até por não sair nesse estado. Sob esse viés, tal constrangimento está atrelado a ignorância e a perpetuação de mitos misóginos no que concerne a disfuncionalidade feminina nesse período, suas alterações comportamentais e emocionais, colaborando para a permanência desse preconceito. Portanto, é essencial mudar a mentalidade da população a respeito do ciclo menstrual no intuito de combater essa problemática.

Além do estigma menstrual, as deploráveis condições de parte dos brasileiros é um ponto crucial na manutenção da pobreza menstrual. Por esse ponto, uma grande parcela do sexo feminino utilizam de jornais, panos, roupas e até miolo de pão para conter o fluxo sanguíneo, o que é prejudicial a saúde pois pode provocar graves doenças e infecções; e apesar da distribuição de absorventes já ter se tornado lei, na prática o alcance ainda não é integral. Vale salientar que a Organização Mundial de Saúde considera o acesso à higiene menstrual um direito, logo, com questão de saúde pública, é dever do Estado solucionar essa questão.