Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/10/2022

A série americana ´´Sex Education´´, da Netflix, tem como foco, em vários dos seus episódios, a problematização de diversos temas associados à sociedade tais como a vivência das mulheres com a menstruação. Na comtemporaneidade, entretanto, percebe-se que mesmo sendo relevante a abordagem sobre essas questões sociais ainda há, tristemente, um alto índice de desigualdade nesse setor, o qual gera, por conseguinte, o fenômeno da pobreza menstrual. Diante disso, é válido salientar como desafios dessa problemática aspectos multifatoriais relacionados tanto no âmbito político quanto social.

Acerca dessa lógica, a precariedade de projetos sociais que combatem à pobreza menstrual no Brasil confirma o comportamento inerte do Estado. Isso pode ser corroborado com os estudos da antropóloga Lilia Schwarzs, os quais afirmam que há uma política de eufemismo no Brasil, isto é, tais impasses tendem a serem minimizados e não recebem a importância necessária. Nessa perspectiva, essa teoria se assemelha a realidade brasileira, pois há um desenvolvimento deficitário de políticas públicas associadas à saúde de mulheres de baixa renda que são vítimas, na maioria das vezes, da desigualdade e da falta de subsídios governamentais que auxiliem na aquisição de absorventes, por exemplo, aos indivíduos que não tem acesso. Desse modo, a banalização do governo quanto ao combate dessa disparidade social ligado à menstruação deve ser analisada.

Ademais, outro fator a ser verificado é a mentalidade da população que atribui à determinados assuntos sobre a saúde feminina como um tabu. Nesse viés, consoante a teoria “Temas tabu”, do sociólogo Michel Foucault, a sociedade tende a minimizar e estigmatizar determinados assuntos nas interações sociais ligados à sexualidade e à saúde mental, o que promove, como consequência, a perpetuação do problema. Na realidade brasileira esse preceito se aplica pois em setores como ambientes escolares ou, até mesmo, familiares os temas relacionados à menstruação são pouco abordados, com isso torna difícil a identificação de mulheres que necessitam de auxílio devido à ausência de abordagens dessas temáticas. Logo, a estigmatização é uma das questões que impulsionam o aumento da pobreza menstrual.