Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 01/10/2022

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne ao desafio no combate à pobreza menstrual no Brasil, que segue sem uma intervenção que o resolva. Nesse contexto, observa-se um delicado problema, que tem como causas a desigualdade social e o silenciamento.

Nesse cenário, em primeiro plano, a disparidade socioeconômica mostra-se um complexo dificultador. A “isonomia” é a garantia de oportunidades iguais, mesmo em condições diferentes. No entanto, a realidade é pouco isonômica na questão da escassez de recursos de higiene íntima feminina, visto que constantemente durante esse período ocorre uma intensa evasão escolar. Assim, percebe-se a urgência de proporcionar oportunidades para esse grupo.

Ademais, a falta de informação é um entrave no que tange ao problema. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado referente a carência menstrual, haja vista que, erroneamente, pouco se repercute a respeito nos mecanismos de comunicação em massa, em virtude disso, observa-se uma população alienada sobre a gravidade da temática. Dessa forma, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

É imprescindível, portanto, que medidas estratégicas sejam tomadas. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda econômica mais democrática, por meio da destinação de recursos para esse grupo excluído, a fim de reverter a desigualdade social que se instala na pobreza menstrual. Tal ação pode, ainda, conter com uma divulgação na mídia para que a população tome conhecimento, com intuito de não deixar invisível a problemática. Dessa forma, é possível modificar o percurso descrito por Newton.