Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 20/10/2022

No documentário da Netflix ‘‘Absorvendo o tabu’’ é retratado a realidade de mu-lheres da Índia que produzem absorventes a baixo custo para população. Análogo à reportagem, a população feminina do Brasil sofre com à pobreza menstrual, sen-do necessário a discussão acerca dos desafios no combate de tal problema, como a desigualdade social e o tabu que ainda rodeia o assunto da menstruação.

A priori, a historiadora Lilia Schwarcz afirma que a ausência de cidadania é res-ponsável por manter uma estrutura retrógrada na sociedade, ou seja, a não garan-tia dos direitos básicos - como o acesso à saúde integral, estabelecido pela Cons-tituição de 1988 - enquanto cidadão, resulta em um abismo social. Com isso, ao re-lacionar a negligência do Estado e a realidade econômica das mulheres das classes mais pobres, o fenômeno da pobreza menstrual é potencializado. Logo, sem condi-ções de realizar a compra de absorventes, cresce a desigualdade referente ao aces-so à higiene menstrual, dificultando assim, o combate ao problema.

Por outro lado, de acordo com pesquisa da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 73% das meninas que menstruam revelaram constrangimento na escola e em lugares públicos por conta da menstruação. Esse dado revela a persis-tência do tabu em uma situação comum à toda mulher - que é a menstruação - e que é reflexo da falta de informação no que diz respeito ao assunto. Isto posto, a falta do diálogo seja pela escola ou pela família, que é o primeiro meio socializador do indivíduo, contribui diretamente na manutenção dessa mentalidade que fo-menta o olhar preconceituoso e enojado sob o ato de menstruar.

Portanto, é imprescindível o combate à pobreza menstrual. Para isso, é necessá-rio que o Ministério da Saúde em parceria com as secretarias municipais elabore um projeto de distribuição mensal de absorventes nas cidades - com auxílio de trailers itinerários nos pontos principais - visando democratizar não apenas o aces-so à higiene para população mais carente, mas com acompanhamento de profis-sionais de saúde para esclarecimento do assunto. Ademais, em consonância com à a ação do governo, as escolas devem promover debates sobre a menstruação com foco não somente nos alunos, mas os pais e responsáveis também, para que as-sim, com acesso à informação e cidadania, o tabu seja absorvido.