Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 11/10/2022
É fato que, no Brasil, diversas pessoas com útero sofrem com a inacessibilidade a produtos básicos de higiene no período menstrual. Com isso, segundo a empresa de cuidados femininos Always, uma em cada quatro jovens já faltou aula por não ter condições de comprar absorventes. Assim, é notório como a pobreza menstrual é um problema comum a diversas mulheres na sociedade. Logo, é necessário compreender os desafios pertinentes a essa problemática, como os impedimentos na educação e a falta de higiene menstrual nos sistemas carcerários.
Em primeiro lugar, o escritor Paulo Freire relata que a educação deve ser crítica, libertadora e conscientizar os jovens de seus direitos. Contudo, devido a falta de acessibilidade a produtos de cuidado pessoal, muitas adolescentes não conseguem ir para a escola no período menstrual. Nessa perspectiva, o processo educativo não tem sido libertador, uma vez que diversas pessoas com útero têm sido impedidas de exercer seu direito de adquirir conhecimento por conta da pobreza menstrual. Então, é essencial que medidas sejam tomadas para solucionar esse problema.
Ademais, as jovens e adultas no sistema carcerário possuem ainda mais dificuldades com a higiene no período menstrual, pois é distribuído o mesmo kit de limpeza para todos os indivíduos em cárcere, independente do sexo. Sob essa ótica, esse fato pode ser explicado pela falta de direitos femininos ao longo da história do país, visto que as mulheres só foram incluídas na Constituição de 1934. Dessa maneira, é imprescindível que mobilizações sejam feitas para garantir a dignidade da parcela da população que sofre com isso nas prisões.
Destarte, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde - órgão responsável pelo bem-estar sanitário da população-, disponibilizar no Sistema Unitário de Saúde e nos sistemas carcerários absorventes gratuitos, para que assim todas as pessoas com útero possam ter acesso a esse produto de higiene básica. Além disso, também cabe ao Governo, em colaboração com o Ministério da Educação, realizar palestras e campanhas em prol da conscientização sobre esse problema, garantindo assim mais visibilidade para o seu combate. Desse modo, as mulheres poderão ter o direito de combater a pobreza menstrual gradativamente.