Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/10/2022
Pintado por Edward Munch, a tela “O grito” traz uma figura humana distorcida, espantada pela realidade, tolhida pela modernidade. Hoje, ao sair do campo artístico, percebe-se que tal desamparo também pode ser encontrado ao se observar os desafios enfrentados no combate à pobreza menstrual no Brasil. Nesse prisma, faz-se pertinente pontuar as causas que envolvem tal problemática.
Com efeito, é necessário afirmar que a pobreza menstrual repercute na persistente falta de pertencimento nacional. Na verdade, a ideia de pertencimento não está associada a sobreposição de um direito em relação ao outro, mas à coexistência deles: sociais, políticos e civis (teoria estudada pelo historiador José de Carvalho). Nesse sentido, percebe-se que, quando o pilar social não é garantido, devido à falta de acesso à higiene menstrual por muitas mulheres, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada. Assim, como a cidadã não se sente mais parte do corpo social, ela naturaliza a pobreza menstrual, afinal, seus direitos (que deveriam ser garantidos na teoria) não são praticados na prática.
Ademais, é fundamental pontuar que um dos maiores desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil se deve ao escasso interesse político em reverter tal situação. De fato, nota-se que “o desenvolvimento social depende da força das instituições nacionais que estão corrompidas pelo patrimonialismo”, ou seja, pela cultura de gerir o Estado como patrimônio privado (teoria estudada pelo historiador Raymundo Faoro). Nesse sentido, a medida que a política de priorizar os interesses pessoais se enraíza, mais difícil será garantir a higiene menstrual as mulheres brasileiras. Com isso, apesar de ser uma das 20 maiores economias do mundo, de acordo com o FMI, é nítido que a problemática persiste por negligência estatal, e não por falta de recursos.
Portanto, é imprescindível combater a pobreza menstrual no país. Para isso, o Ministério da Saúde deve mobilizar a criação de uma “Campanha de Incentivo à Higiene Menstrual”. Tal ação ocorrerá por meio de um planejamento das diretrizes para implementação desse projeto para definir a prioridade em investir na compra de matérias voltados para a saúde da mulher e oferecer, de graça, nas UPAs. Assim, todas as cidadãs terão, de fato, seus direitos atendidos.