Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 08/11/2022

O documentário “Absorvendo o tabu”, vencedor do Oscar, expôs os problemas em relação à menstruação na Índia, com meninas sem acesso a absorventes so-

frendo diversas consequências. Da obra documental à realidade brasileira, não se percebem grandes diferenças, uma vez que a situação de pobreza menstrual - falta de acesso a absorventes, outros itens de higiene e instrução - é significativa no país. Tal problemática tem como desafio a incipiente circulação de informações, o que fere certos direitos daquelas que menstruam.

Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que a escassez de informações dissemina-das sobre a menstruação prejudica o combate à pobreza menstrual. Nesse sentido, Habermas, sociólogo da Escola de Frankfurt, discorre sobre a importância da comu-nicação na exposição de conflitos, a fim de chegar-se a um consenso. De modo análogo ao tema, o silenciamento diante do ciclo menstrual não explora o esclarecimento da sociedade, a qual perpetua a infeliz visão de que o acesso a itens de higiene, como absorventes, não é uma questão relevante de saúde pública. Assim, permanece o tabu em relação à menstruação, junto da falta de indivíduos dispostos a combater as problemáticas inerentes a ela.

Ademais, sem providências contra a indignidade menstrual, a mulher tem direi-tos atingidos e, consequentemente, sua qualidade de vida afetada. À exemplo dis-so, citam-se as estudantes que faltam nas aulas por não conseguirem conter seus sangramentos mensais e que, em vista disso, sofrem com um déficit de conteúdo capaz de prejudicar suas formações intelectuais. Sendo assim, há privações da mu-lher ao direito de saúde e educação, situação essa de marginalidade que não se di-fere dos tempos em que era isenta de cidadania em Atenas.

Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças nesse contexto social. Para isso, cabe à Mídia a divulgação da importância de se fazer cumprir a lei de combate à po

breza menstrual no país. Isso será feito por meio de propagandas na televisão aber

ta e posts informativos nas redes sociais, elaborados por profissionais da saúde, so

bre os benefícios da distribuição de absorventes e outros itens, a fim de exigir que o Estado faça a sua função e de ampliar o debate sobre o assunto. Assim, o documentário relatará uma realidade não presente no Brasil.