Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 09/11/2022

Em “Sex Education”, série britânica que aborda sobre tabus sociais, a personagem Lili em um dos episódios deixa de frequentar à escola e outros locais em seu período menstrual. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada no seriado pode ser relacionada àquela vivenciada por milhares de pessoas em situação de pobreza menstrual no Brasil. Sob esse viés, faz-se crucial analisar as causas que agravam esse problema, dentre as quais se destacam não só a negligência governamental, bem como a desigualdade social em evidência no século XXI.

Em uma primeira análise, é importante ressaltar a indiligência estatal como um agravante de tal problemática. Tal conjuntura, segundo as idéias do filósofo John Locke, configura-se como uma quebra do “Contrato Social”, dado que o Estado não cumpre com eficácia sua função de garantir os direitos básicos para as pessoas que menstruam, tal como a distribuição de absorventes – item básico de higiene pessoal – que muitas vezes é negligenciado e ainda visto como um “item de luxo” por muitas pessoas na sociedade.

Ademais, convém ressaltar a desigualdade econômica como outro impulsionador dos problemas causados pela pobreza menstrual. De acordo com dados fornecidos pela Agência Senado, mais de 10% da população sobrevive com menos de um salário mínimo, tornando inviável para muitas pessoas que menstruam a compra de produtos básicos de higiene pessoal, bem como absorventes e tampões. Como consequência, a falta desses itens acabam resultando em condições precárias de higiene, podendo agravar-se para problemas de saúde, dado que muitas pessoas se utilizam de materiais inadequados para a conteção da menstruação.

Portanto, medidas são necessárias para combater os desafios causados pela pobreza menstrual no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde em parceria com os municípios, deverá criar o programa social de distribuição nacional de absorventes para todas as pessoas em condição de vulnerabilidade social, bem como campanhas e distribuição em escolas, a fim de conscientizar e proporcionar a saúde e a dignidade a essa parte da população. Desse modo, narrativas como a de Lili em “Sex Education” deixará de ser uma realidade paralela à da atual sociedade brasileira.