Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/11/2022
Atenas,antiga cidade grega,local em que surgiu a democracia,forma de governo que valoriza a participação política e o exercício da cidadania,tinha um número restrito de cidadãos.Isso porque,principalmente as mulheres, não podiam exercer a cidadania.De maneira análoga à situação ateniense,o Brasil sofre com os desafios para combater à pobreza menstrual.Assim,cabe analisar as causas e as consequências dessa problemática.
Primeiramente,é fulcral compreender que os absorventes e coletores menstruais são extremamente necessários para conter o fluxo menstrual de modo que as mulheres possam cumprir com êxito suas atividades,como trabalhar e estudar.Acerca disso,o filósofo grego Aristóteles,afirmava em seu conceiro “Zoon Politikon” que o ser humano é um animal político que tem como finalidade alcançar a felicidade,adquirida ao exercer aquilo que lhe é substancial:pensar e agir em sociedade.Nesse sentido,evidencia-se a marginalização social sofrida pelas mulheres que não conseguem comprar tais produtos essenciais para os ciclos menstruais,o que gera a evasão escolar e a impossibilidade de se ter um vínculo empregatício,ou seja,elas são impedidas de cumprirem a sua finalidade.
Além disso,é notório que a negligêcia do Estado,que não fornece de forma gratuita o essencial para a higiene íntima das brasileiras,impulsiona o impasse.Segundo o filósofo contratualista John Locke,é firmado um contrato social quando se forma uma sociedade,no qual o governo se compromete a fazer com que o seu povo goze de direitos imprescindíveis,como o bem-estar social.Dessa forma,é incontrovertível que o cenário presente na vida da mulher brasileira configura-se como uma violação do contrato social.Por conseguinte,a classe feminina se ausenta cada vez mais da sociedade,o que caracteriza um país com atraso social,um retrocesso “irmão” da antiguidade ateniense.
Portanto,é dever do Estado-responsável por garantir o bem-estar do seu povo promover a distribuição de absorventes e coletores menstruais em todas as instituições de saúde do país,por meio do direcionamento de verbas extras para o Sistema Único de Saúde.Assim,espera-se libertar o país da chaga retrógrada ateniense,para que assim evolua incluindo as mulheres como de fato cidadãs.