Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 11/11/2022
O pensamento da filósofa modernista Hannah Arendt: O primeiro direito do homem é o direito a ter direitos, relaciona com os desafios enfrentados à pobreza menstrual no Brasil, uma vez que impossibilita o acesso a saúde e higiene básica, surgindo a necessidade de se combater não só a irresponsabilidade social, mas também a inoperância estatal.
Diante de tal cenário, a falta de debates e ignorância social, mantém o agravamento para as próximas gerações de maneira cíclica. Como é preciso manter o direito de cidadania vivo para que ele não se desvaneça, urge a necessidade da cobrança de cunho social, uma vez que implica na garantia de cidadania. Segundo a senadora Zenaide Maia, as prioridades da população são outras, colocando em segundo plano as questões da pobreza menstrual, agravando a problemática, já que não há devida notoriedade para o assunto.
Outrossim, a inoperância estatal reflete no descumprimento legislativo. Segundo dados da CNN, 4 milhões de meninas sofrem com pelo menos uma privação de higiene, incluindo absorventes, nas escolas brasileiras, refletindo na negligência governamental ao acesso à saúde decretado no Artigo 6 da Constituição Brasileira de 1988, uma vez que a Organização das Nações Unidas, em 2014, considerou que o acesso à higiene menstrual é questão de saúde pública. Sob essa análise, torna-se fundamental incluir esse assunto nos contextos escolares.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Educação, através de políticas públicas, deve distribuir absorventes nos banheiros de escola pública e nos postos de saúde, implementar oficinas nas escolas, que incentivam ao debate para a ruptura de estigmas sociais. Tais ações devem impactar na democratização do acesso a produtos básicos e essenciais de saúde menstrual, refletindo em um país igualitário.