Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 12/11/2022

Na série “Big mouth”, é retratado o desconforto de Jessi ao vivenciar sua menarca num passeio escolar, o qual é amenizado após um diálogo esclarecedor com sua mãe e a utilização de produtos de higiene. Fora da ficção, no entanto, significativa parcela da população brasileira sofre com a pobreza menstrual. Nesse contexto, a ignorância e a desigualdade social constituem desafios para seu combate.

Sob esse viés, cumpre destacar, a princípio, que a falta de informação acerca do tema engendra o óbice. Nesse sentido, cabe mencionar o filme “Carrie, a estranha”, em que a protagonista desespera-se ao menstruar pela primeira vez, uma vez que o conservadorismo religioso leva sua mãe a censurar a discussão sobre esse assunto com a filha. Analogamente à produção, nota-se que alguns segmentos sociais tupiniquins ainda consideram a educação sexual um tabu, em virtude do apego à tradição cultural. Dessa maneira, o desconhecimento desse processo natural obstaculiza a adoção de cuidados pessoais apropriados durante o período de descamação do endométrio.

Outrossim, vale ressaltar que a assimetria socioeconômica agrava o óbice. Sob esse prisma, verifica-se que a escassez de recursos financeiros para a compra de produtos de higiene prejudica o desempenho profissional e escolar das pessoas que menstruam, as quais veem-se obrigadas a afastar-se das atividades devido a dificuldade de lidar com o sangramento. Nesse contexto, a realidade nacional assemelha-se à retratada no documentário “Absorvendo o tabu”, o qual evidencia que a falta de acesso das meninas indianas aos absorventes fomenta a evasão escolar. Dessa forma, são imperiosas medidas para atenuar essa mazela no país.

Depreende-se, portanto, que a insipiência e o abismo financeiro figuram como pilares da problemática. Urge, então, que o Ministério da Saúde - órgão encarregado da execução das políticas de saúde - promova a efetivação da distribuição de produtos de higiene menstrual em espaços públicos, prevista pelo Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual. Isso será possível por intermédio da utilização de verbas federais, a fim de garantir à população de baixa renda o acesso a condições sanitárias mais equânimes. Ademais, o MEC deve difundir a Educação Sexual. Dessarte, atenuar-se-á esse flagelo.