Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 12/03/2023
Biologicamente falando, a menstruação é um processo natural que ocorre na vida fértil da mulher e é ocasionado pela descamação do útero, resultando em sangramento pelo canal vaginal. Apesar de ser um processo natural que necessita de itens higiênicos, como absorventes, existem mulheres que não têm acesso a tais itens com facilidade, caracterizando a pobreza menstrual. Dessa forma, percebe-se a configuração de um grave problema que tem como principais causas a desigualdade social e a inoperância governamental.
Primeiramente, destacam-se as discrepâncias de renda existentes no Brasil como um complicador do impasse. De acordo com o Índice de Gini, a sociedade brasileira é uma das mais desiguais do mundo. Isso se confirma, inclusive, no fato de muitas mulheres, devido sua baixa renda familiar, não terem condições de aderirem nem mesmo itens básicos de alimentação. Dessa maneira, é inadmissível que, em pleno século XXI, as mulheres não tenham o direito de passar o seu período menstrual de forma tranquila e higiênica.
Ademais, a negligência do estado também se configura como um complicador do revés. De acordo com Rousseau, filósofo contratualista, cabe ao governo fornecer aos indivíduos condições dignas de sobrevivência. Isso, no entanto, não ocorre na prática, uma vez que a não preocupação do Estado em ofertar, gratuitamente, absorventes para as mulheres, rompe com o contrato social proposto por esse pensador. Assim, torna-se inaceitável que o Poder Público, continue inerte quanto à pobreza menstrual, ignorando esse caso específico das mulheres em que não há possibilidade de escolha.
Portanto, o Governo Federal,responsável por manter a ordem e o bem-estar coletivo, em parceria com o SUS, deve distribuir absorventes gratuitamente àquelas mulheres de baixa renda que não têm condições de adquirir tais itens. Isso deve ocorrer por meio de um mapeamento detalhado das regiões mais pobres socioeconomicamente, com o objetivo de erradicar a pobreza menstrual no país e, consequentemente, fornecer condições dignas de subsistência a esses indivíduos que necessitam dessa ajuda. Feito isso, gradativamente, o povo brasileiro terá seu bem-estar garantido, assim como prevê, inclusive, a Constituição Federal de 1988.