Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 28/03/2023
O documentário “Absorvendo o Tabu” retrata o cotidiano de mulheres indianas que combatem o estigma acerca da menstruação por meio da produção de itens de higiene menstrual. Apesar de retratar a realidade da Índia, a obra reflete também os desafios enfrentados por pessoas que menstruam em situação de pobreza no Brasil. Assim, torna-se necessário avaliar os impactos do impasse no cenário nacional.
Em primeiro lugar, é importante pontuar que a pobreza menstrual impacta na formação educacional dos brasileiros. Isso porque, de acordo com o relatório oficial da UNICEF, 1 em 4 mulheres já deixaram de ir às aulas durante o período menstrual devido à falta de amparo no ambiente escolar, além da inacessibilidade aos itens básicos de higiene menstrual. A partir desse cenário, as pessoas que menstruam prejudicam a própria educação, e consequentemente, o próprio futuro profissional, em razão do desamparo governamental diante do impasse, uma vez que carecem medidas públicas que buscam reconhecer e solucionar a problemática.
Ademais, é válido ressaltar que a pobreza menstrual também apresenta riscos graves à saúde. Isso é exemplificado pela autora Nana Queiroz em sua obra “Presos que menstruam”, na qual retrata a realidade das mulheres encarceradas no Brasil, que devido ao desamparo do sistema carcerário, recorrem a alternativas insalubres aos itens de higiene não fornecidos, como, por exemplo, miolo de pão e jornal. Sob essa óptica, os indivíduos tornam-se mais vulneráveis à problemas de saúde, como o choque tóxico, em razão da precária infraestrutura das instituições políticas brasileiras.
Torna-se necessário, portanto, medidas que minimizem os impactos da pobreza menstrual no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde, órgão responsável pela garantia do acesso à saúde para todos os brasileiros, em parceria com o Ministério da Educação, deve lançar o Plano Nacional “Menstruação saudável à todos”, em que, por meio da distribuição gratuita de itens de higiene menstrual nas escolas e nos postos de saúde, deverá democratizar o acesso aos produtos de menstruação, e assim, promover melhor qualidade de vida aos indivíduos que menstruam.