Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 09/04/2023
Frequentemente propagandas publicitárias vinculam a imagem do uso de absorventes de alguma marca à liberdade feminina durante os períodos menstruais. Todavia, uma questão importante é ignorada nos anúncios, a parcela da população que não tem acesso a tal item de higiene. O preço dos absorventes faz com que muitas mulheres não façam seu uso, esse grupo é fortemente atingido pela pobreza menstrual. A questão nos revela uma dimensão de gênero relacionada à probreza, em que as necessidades desse público são ignoradas pelo poder público.
De modo inicial, é fundamental refletir acerca do aumento da população na linha da pobreza e como isso impacta não só no problema da fome, como também na ausência de acesso a absorventes pelo gênero feminino. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 29% da população brasileiro vive na faixa da pobreza. Nesse sentido, as consequências são o aumento do número de mulheres que são afetadas pela pobreza menstrual. O preço elevado desse item de higiene somado ao cenário de falta de dinheiro contribui para que essas mulheres optem por priorizar a compra de alimentos em detrimento de absorventes, que, nesse contexto, se torna um item de luxo.
Além disso, é verificado que não existem programas assistencialistas que considerem essa necessidade feminina. Nesse caso, é possível observar que existe uma questão de gênero a qual atinge as mulheres e que são tratadas como invisíveis pelas esferas de poder. Esse grupo possui necessidades que se diferenciam dos homens, como é o caso da importância do uso de absorventes e demais itens menstruais. Ao receber uma certa quantia de programas como o “Bolsa Família”, a mulher terá com o dinheiro obrigações semelhante as do gênero masculino, entretanto, serão acrescidas as que estão relacionadas ao período menstrual. Dessa forma, essa é uma dimensão que não deve ser igorada.
Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de democratizar o acesso à tais itens de higiene feminina. Logo, o Senado Federal, importante esfera do poder legislativo, deve agir por meio de uma lei que defina como obrigatório a distribui-
ção de absorventes nos postos de saúde. Assim, mulheres terão acesso ao item.