Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 24/04/2023

“Luto para que a justiça social venha antes da caridade”. Essa frase de Paulo Freire,se devidamente interpretada, expõe uma problemática de mulheres que estão sujeitas a uma realidade de pobreza menstrual. Esse é um problema grave que afeta principalmente a população mais pobre devido a inexistência de recursos. Assim, cabe analisar não só os motivos socioeconômicos que legitimam esse problema, mas também compreender os seus desafios políticos e estruturais.

A princípio, é importante pontuar que a pobreza menstrual vai além da disponibilização de absolvente, esse é um problema sedimentado na sociedade brasileira. Isso se deve porque se instituiu um modelo socioeconômico extremamente desigual em que grande parcela da população, em primeiro plano, não qualquer acesso à informação no que diz respeito a sexualidade, ciclo menstrual, o qual vai de encontro ao preceito iluminista, elaborado por Thomas Hobbes, de que informação é poder. Em segundo plano, isso acontece em razão do simples fato de ser péssima a distribuição de riquezas, no qual as mulheres não possuem condições de arcar com materiais básicos de higiene e saúde feminina.

Deve-se destacar, ademais, que um dos obstáculos que lastreia o combate á pobreza menstrual pode ser entendido,também, como de ordem democrática, uma vez que não há um interesse sociopolítico, por parte da população, em compreender que esse é um problema sério e silencioso o qual se desdobra, principalmente, na vida de mulheres que não podem ir á escola ou á consulta, frequentar certo lugares porquanto não detêm objetos de saúde menstrual. Com efeito, esse fato exemplifica e endossa a tese defendida pelo Jurista Marcelo Neves de que existiriam pessoas subintegradas, isto é, que possuem legalmente o direito, consagrado no ordenamento jurídico, de conviver de maneira digna, mas que efetivamente estão á margem da sociedade, não podendo usufluir desses direitos.

Dessa maneira, a mídia deve atuar por meio de novelas na disseminação do conhecimento atinente á higiene menstrual. O Estado deve promover políticas públicas de acesso a materiais destinadas a população mais pobre para que se possa desestruturar essa dantesca realidade.