Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 11/06/2023

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa a própria existência. Essa visão, embora correta, não é efetivada da maneira esperada, haja vista os desafios no combate à pobreza menstural que persistem no Brasil, deixando o bem-estar de muitas brasileiras em segundo plano. Assim, faz-se necessário analisar o problema, que é fruto da desigualdade social e da escassa abordagem do tema.

A princípio, cabe ressaltar que a pobreza menstrual está relacionada a uma série de fatores socioeconômicos. Nesse sentido, no livro “Sapiens”, Harari afirma que a invenção do dinheiro foi capaz de conectar o mundo, mas, ao mesmo tempo, segregou a sociedade. Essa tese, pode ser verificada no cenário atual, uma vez que, ainda há muitas meninas que não possuem acesso a itens básicos de higiene menstrual, como absorventes, devido à vunerabilidade econômica em que estão inseridas, já que, muitas vezes, priorizam gastar o pouco dinheiro da família em itens ainda mais básicos, como alimentação.

Além disso, a falta de debate sobre o ciclo menstrual feminino é outro fator contribuinte para a problemática em questão. Nessa perspectiva, o filósofo Foucalt defende a ideia de que a sociedade silencia alguns temas com objetivos claros. Desse modo, nota-se que a sexualidade vem sendo silênciada há seculos e a menstruação ainda é considerada “tabu” em muitas culturas, o que faz com que a população não questione a pobreza menstrual e, por conseguinte, a desigualdade existente no país e os direitos do cidadão.

Portanto, é dever do Governo promover campanhas de combate à pobreza menstrual. Essa ação deverá ser feita através da destinação de verbas para a compra de absorventes, que serão entregue nas escolas, postos de saúde e ambientes de trabalho de forma gratuita, com o objetivo de facilitar o acesso aos itens básicos de higiene para as brasileiras. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a realização de projetos que envolva a educação sexual, que serão postados nas redes sociais para um maior alcance, visando informar e diminuir os tabus existentes sobre a menstruação e garantir uma maior igualdade e respeito para as mulheres. Dessarte, o postulado de Platão será cumprido.