Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 27/07/2023
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, com a ausência de conflitos. Entretanto, ao contrário da idealização da ficção exposta, é possível observar um notório desafio no que diz respeito ao combate à pobreza menstrual no Brasil. Tal problema se da, principalmente, a desigualdade social, como também pela negligência cometida pelo Estado.
Em primeira análise, vale destacar a evidente disparidade social como um dos principais causadores desse cenário. Nesse viés, segundo o Índice de Gini, medidor de desigualdade nos países, o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo, fator que reflete diretamente na temática, visto que em grande parte da população as condições são precárias, a exemplo de locais sem saneamento básico, poder de compra insuficiente (impossibilitando a compra de absorventes) e a falta de instrução acerca da saúde íntima feminina, impactando propriamente em um contexto onde a pobreza menstrual é minimamente esperada.
Ademais, cabe ressaltar também o descaso estatal como outro agravante do problema. A esse respeito, o filósofo Peter Drucker defendia a ideia de que não existem países subdesenvolvidos, e sim subadministrados. Dessa forma, é possível correlacionar com essa tese a má distribuição de recursos financeiros ou o desvio deles, dificultando o investimento em políticas públicas eficazes para a saúde íntima feminina, como a distribuição mensal de absorventes e kit de higiene menstrual em áreas carentes, difusão de campanhas instrutivas sobre o tema, entre outros problemas que culminam na perpetuação da problemática.
É evidente, portanto, que alternativas devem ser implementadas. Nesse prisma, a fim de combater a pobreza menstrual no Brasil e trazer melhores condições à população, cabe ao Governo Federal, órgão de instância máxima nacional, promover o desenvolvimento de políticas públicas efetivas voltadas à saúde íntima feminina, por meio da criação de um programa de distribuição mensal de kits de higiene e absorventes as mulheres de baixa renda previamente cadastradas. Assim, aproximando-se da idealização feita por More.