Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/07/2023
No filme indiano “Pad Man”, o protagonista, em meio às condições sanitárias precárias do seu país, tenta criar um absorvente acessível para democratizar a obtenção desse item de higiene às mulheres. Fora da ficção, a realidade brasileira também é marcada pela existência da pobreza menstrual, mas diverge do cenário cinematográfico devido à ausência de ações interventoras sobre a problemática. Nesse sentido, pode-se dizer que o inacesso às medidas higiênicas permanece tanto pela desigualdade social quanto pela omissão estatal.
Sob tal ótica, a disparidade socioeconômica constitui-se como um complexo dificultador para a resolução do impasse. Segundo Roosevelt, ex-presidente dos Estados Unidos, o progresso de uma nação não está evidenciado no aumento da riqueza dos ricos, mas reside no suprimento das necessidades básicas dos despossuídos. Nesse viés, nota-se um retrocesso no Brasil, pois a discrepância no poder aquisitivo dificulta a compra de produtos essenciais pelos desfavorecidos, que têm sua saúde e dignidade negligênciadas na situação da pobreza menstrual.
Além disso, a omissão estatal também é um óbice para a democratização do absorvente no Brasil. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar social. Entretanto, essa responsabilidade não é honrada quanto à população carente que menstrua no país, uma vez que a ausência de políticas públicas federais voltadas para o fornecimento de itens essenciais de higiene desse período agrava as condições sanitárias de grande parte dos indivíduos durante a menstruação, o que gera o constrangimento e a inibição dos acometidos nessa fase reprodutiva e os distancia do direito da qualidade de vida defendida pelo filósofo. Desse modo, urge uma ação que resgate o conforto desse grupo.
Portanto, são necessárias medidas para o combate da pobreza menstrual no território. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por normatizar ações de sanitização, por meio de verbas repassadas, elaborar um programa de distribuição de toalhas higiênicas no Sistema Único de Saúde, com o fito de democratizar a obtenção dessas mercadorias fundamentais aos menstruados e de atenuar as diferenças na aquisição desses objetos, tal como no filme “Pad Man”.