Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/08/2023
Na série " Orange is the new black", retrata-se os entraves para a higiene feminina dentro do presídio, uma vez que a escassez de absorventes se faz presente. Fora da ficção, tal questão é ainda mais ampla na sociedade brasileira, visto que a miserabilidade vai de encontro com os direitos fundamentais. Portanto, faz-se substancial mitigar a pobreza menstrual e ampliar o debate.
É imperioso mencionar, de início, que a Constituição federal de 1988 garante o acesso à saúde, à higiene e ao saneamento básico, de modo que a negação de tais direitos simboliza o retrocesso histórico de toda conjuntura nacional. Nesse contexto, inúmeras famílias não possuem condições financeiras para a compra de absorventes e coletores íntimos, o que é um reflexo da vulnerável competência política no executar do legislativo. Segundo Milton Santos, a democracia será efetiva quando todos desfrutarem plenamente os direitos políticos, civis e sociais, logo, a intensa omissão do estado configura-se como um promotor da segregação de adolescentes e jovens nas escolas e universidades no período menstrual.
Ademais, outro fator precursor do impasse é o alto preço dos remédios para cólicas e absorventes no país. Conforme o romancista Victor Hugo, o progresso capitalista roda constantemente sobre duas engrenagens, de maneira que beneficia poucos e sobrecarrega muitos, situação essa que impulsiona a marginalização do sujeito a uma condição desumana e inconstitucional. Diante disso, é notório que a indústria tem por objetivo unicamente a obtenção de lucro, o que se mostra necessário equiparar os valores à população carente.
Perante tudo isso, então, urge que do governo a criação de políticas públicas que busquem combater a pobreza menstrual. Estas devem ser aprimoradas por meio de uma parceria público-privada com a Sempre livre , de forma que abasteça as escolas e os postos de saúde e os presídios com absorventes e também torne os valores mais acessíveis nas farmácias populares, com o fito de restabelecer o retorno ao mercado de trabalho, aos estudos e à dignidade cidadã. Quiçá, será possível vislumbrar um país democrático pelo cumprimento da carta Magna vigente.