Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 26/10/2023
Na canção “Cor de Rosa-Choque”, de Rita Lee, a cantora destacou em pleno 1982 que “mulher sangra todo mês” - se referindo à menstruação - quebrando tabus em uma sociedade militar machista. Após mais de 40 anos, falar do período feminino ainda é motivo de constrangimento, o que reflete diretamente na saúde ginecológica da mulher e nos debates sobre polítcas públicas para combater a pobreza menstrual.
A vida da mulher é difícil desde a tenra idade, todo o meio conspira contra seus anseios a ela estabelecendo limitações, na pré-adolescência vem mais um obstáculo: a menstruação. A Organização das Nações Unidas (ONU) relata que aproximadamente 10% das meninas perdem aulas quando estão no período de fluxo pela carência de absorventes - utensílios essenciais para a higiene da mulher, previnindo infecções e promovendo o bem-estar feminino - dada a sua importância, o item é crucial ao estabelecer os parâmetros da desigualdade.
Em consequência de narrativas e debates cada vez mais polarizados no país, temas como a higiente menstrual adquirem, em retrocesso, mais obstáculos. Em um país que sonha com o desenvolvimento, é inadmissível que o dia-a-dia de cerca de 50% da população seja ofuscado das pautas parlamentares, mas os dados evidenciam a causa disso: a maior parte dos indivíduos afetados pela pobreza menstrual são mulheres pretas.
Portanto, é de suma importância garantir a representatividade política feminina no país para pôr em prática temas ignorados por autoridades masculinas. A curto prazo os Ministérios da Saúde e Educação devem, em conjunto, promover, por meio de campanhas, a conscientização de mulheres e homens acerca da saúde menstrual livre de tabus e distribuir itens de higiene a fim de garantir um período de fluxo mais igualitário a todas.