Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 10/06/2024
Segundo Émile Durkheim, pensador francês clássico da sociologia, os fatos sociais moldam a maneira de agir das pessoas pela influência que eles exercem sobre elas. Dessa forma, a sociedade se compara a um organismo vivo e, como tal, pode padecer de enfermidades. Sendo assim, uma das principais patologias da modernidade são os impactos da continuidade da pobreza menstrual no Brasil. Logo, é necessário que a coletividade analise a os prejuízos à saúde como a raiz do problema e a falta de visibilidade sobre o assunto como efeito desse miasma.
Precipuamente, é crucial pontuar que a problemática deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garantiu a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-social. Entretanto, a realidade é totalmente oposta e, milhares de pessoas do sexo feminino enfrentam problemas graves de saúde diariamente pela falta do uso desse item de higiene básica -o absorvente, uma vez que seu acesso a esse item básico de saúde é restrito. Dessa forma, impossibilitando que uma parcela da população desfrute desse direito na prática.
Ademais, dessa maneira, como efeito negativo pode-se destacar O livro “Presos que menstruam”, de Nana Queiroz, que ilustra a realidade das pessoas com vagina em espaços penitenciários. Assim, conforme relatado na obra, devido à precariedade, elas recorrem a diferentes alternativas, como jornal e até mesmo miolo de pão, para conter o fluxo menstrual. Essas opções afetam diretamente a saúde genital, desencadeando irritações e inflamações, e interferem na dignidade humana da comunidade encarcerada. Além da população presa, outros indivíduos, como aqueles em situação de rua e jovens sem condições financeiras apropriadas, padecem com esta realidade.
Portanto, necessita-se que o Ministério da Saúde crie kits de absorvente e itens necessários para realização da higiene básica, para toda a população vulnerável à pobreza, com ajuda de profissionais da área médica, por meio da distribuição em locais públicos das cidades tendo como finalidade a diminuição dos índices de doenças ginecológicas e devolvendo a dignidade da população que menstrue.