Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 05/02/2025
Na obra “Triste fim de Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto, a figura do protagonista é construída a partir de um ideal baseado na valorização de questões do próprio país. No entanto, fora da ficção, a realidade brasileira está distante disso, haja visto os caminhos para combater a pobreza menstrual no Brasil contemporâneo. Tal cenário ocorre, em especial, devido à omissão estatal e ao emudecimento da problemática.
Diante desse panorama, aponta-se como um fator determinante a inoperância do Poder Público. Isso porque, segundo o filósofo John Locke, o Estado deve garantir o deleite da coletividade. As autoridades, todavia, vão de encontro com a ideia de Locke, uma vez que, possuem um papel inerte em relação à falta de acesso a produtos de higiene menstrual, o que perpetua a desigualdade social, e compromete a dignidade de milhares de pessoas que menstruam. Desse modo, é inadmissível que, em uma sociedade democrática, os governantes tratem a higiene menstrual de forma precarizada.
Ademais, é importante salientar o silenciamento da questão. Sob esse viés, Djamila Ribeiro – expoente socióloga brasileira – defende que é crucial retirar um problema da invisibilidade para que ele seja resolvido. Com isso, o quadro nacional destoa da visão da pensadora, já que há uma escassez de debates quanto à importância da dignidade menstrual como uma questão de saúde pública, o que gera, estigmas sociais e dificulta a aquisição de conhecimento sobre menstruação. Dessa forma, é inaceitável que o tema não seja amplamente discutido, dificultando, ainda mais, o acesso universal a itens básicos de higiene íntima na sociedade verde e amarela.
Portanto, é necessária uma intervenção pontual. Para isso, o Governo Federal deve, por meio de investimentos governamentais e parceria com o setor midiático, veicular, em TV aberta e em horário nobre, a importância da higiene menstrual como um direito básico à saúde. Tal medida tem o objetivo de tirar o Estado de sua postura omissa, bem como ampliar a discussão sobre a questão, a fim de que haja uma mobilização social para a construção de políticas públicas eficazes. Somente assim, o ideal proposto por Barreto será consolidado no Brasil.