Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/05/2025
O filósofo suíço Jean Jacques Rousseau afirma que o Estado tem dever de assegurar os direitos fundamentais à vida. Nessa perspectiva, em dias atuais, observa-se o oposto dessa afirmativa no que tange à situação de pobreza menstrual no Brasil. Isso se evidencia devido à falta de políticas públicas direcionadas e à mentalidade estigmatizada da população.
Nesse prisma, infere-se que a ausência de iniciativas públicas contribui para a persistência do quadro apresentado. Essa inoperância caracteriza o Estado, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, como “instituição zumbi”, já que não cumpre os seus objetivos principais . Por essa via, nota-se que sem medidas eficazes, a situação de pobreza menstrual na conjuntura nacional causa alarmantes problemas, visto que adolescentes durante sua menstruação deixam de ir à escola, por não terem itens de higiene básica, como absorvente, prejudicando seu desenvolvimente cognitivo e intelectual.
Cabe analisar ainda, que a mentalidade preconceituosa é um notável entrave na resolução da problemática. Esse pensamento perdura desde os tempos do Antigo Testamento - uma das divisões da Bíblia Sagrada - no qual as mulheres eram consideradas “impuras” quando estavam menstruadas, e não podiam ser tocadas. Nesse sentido, sem ações efetivas, a percepção estigmatizada do povo brasileiro se concretizará cada vez mais com relação à esse processo biológico das mulheres. Logo, é essencial reverter esssse cenário de ignorância.
Urge, portanto, que providêcias sejam adotadas. Nessa ótica, o Governo Federal - órgão responsável pela ordem social - por meio dos Ministérios da Saúde e da Educação, deverá distribuir absorventes suficientes, mensalmente, todas as escolas, para alunas a partir da sexta série, para diminuir a pobreza menstrual e a evasão escolar de meninas, e ainda promover palestras conscientizando acerca da necessidade desse processo feminino. Assim, a afirmação de Rousseau será alcançada.