Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil
Enviada em 07/06/2023
“É de natureza da cultura tornar natural o que não é”. Afirmação do historiador Leandro Karnal que caracteriza com excelência a problemática acerca da preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil. Nesse sentido, tem como origem inegável o desconhecimento populacional diante de suas origens, e a falta de identidade visual nacional. Sob essa óptica, a negligência governamental e o eurocentrismo contribuem para a naturalização desse quadro problemático.
Consoante ao Modernismo brasileiro, marcado pela Semana de Arte Moderna, no ano de 1922, as formas de expressões artísticas europeias são consideradas referências superiores pelo mudo todo. A visão eurocêntrica ainda rege o Brasil, e é notada a partir do escasso conhecimento da população ao que tange a própria cultura e história, enquanto, a pedestalização de patrimônios internacionais. A instituição Iphan, durante 83 anos visa acervar tudo aquilo que pode contribuir para a formação de identidade visual nacional, via combate ao negacionismo à valorização histórica do Brasil.
Visto que, em uma mão o país deve progredir, em outra, é de sumo valor ter consciência do passado e de sua consolidação como nação, independentemente de mutações econômicas, políticas ou sociais constantes. Thomas Hobbes, em sua obra “Leviatã”, faz alusão à um ser grandioso e poderoso, que tem papel de proporcinar o bem àqueles menores e inofensivos. Dessa forma, o Estado tem função de comportar-se como o ser grandioso, proposto por Hobbes, e promover o melhor à sociedade. É fato de que esse encargo é falho, já que, no cenário que concerne a preservação de história e cultura brasileira, falta a disseminação da importância de tal quadro na sociedade, que deveria ser executada pela mão maior que a governa, o Estado.
Portanto, cabe ao Ministério da Cultura promover projetos públicos e gratuitos que ampliem a visibilidade de fatores que constroem a imagem do Brasil- como a capoeira, a arquitetura, o futebol e a música - auxiliado por investimentos do Governo Federal. Ademais, ao Ministério da Educação torna-se dever propor aulas que demonstrem o valor da história, para que as gerações progridam com a noção de preservação patrimonial, e esses desafios regentes sejam cessados.