Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil

Enviada em 08/06/2023

“O importante da vida não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, ainda na Grécia Antiga, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Porém, mais de dois mil anos depois, “viver bem” ainda se mostra uma difícil tarefa para as instituições que lutam contra os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil, haja visto o incêndio ocorrido no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: o descaso governamental e a falta educacional.

Ademais, é importante destacar, a princípio, que a inoperância estatal é um fato dominante para a ocorrência de tragédias como essa por falta de investimentos, como por exemplo, na manutenção desses lugares. De acordo com Thomas Jefferson – terceiro presidente dos Estados Unidos –, a aplicação das leis é mais importante que sua elaboração, visto que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a cultura, o que infelizmente é evidente no país. Por isso, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso à cidadania.

Por outro lado, é fulcral salientar a culpa de parte da população à degradante situação das organizações que resguardam artefatos de suma importância histórica. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, assemelha-se à uma situação onde falta ênfase em novos hábitos da população voltados sobre a política e poder, e com o efeito disso perdem sua representatividade na sociedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de especialistas, promova palestras e discussões acerca do tema – o qual irá abordar questões sobre a importância de valorizar os bens nacionais – a fim de reeducar a todos e construir hábitos educativos para melhorar o convívio em sociedade. Deste modo, espera-se que as instituições em questão recebam uma maior atenção do Estado e a sociedade para que possam, finalmente, “viver bem”.