Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil
Enviada em 22/07/2023
Consoante ao sociólogo canadense Erving Goffman, em seu livro “A representação do eu na vida cotidiana”, as hierarquias e papéis sociais envolvidos no processo interativo humano ditam as ações dos indivíduos. Nessa perspectiva, o tecido social mantém-se egocêntrico e apático, priorizando suas garantias e não a de outrem, fator percebido na desvalorização de patrimônios históricos e culturais, aos quais derivam do panorama débil de degradação e aceleração da vida cotidiana. Desse modo, é fundamental inferir as raízes desse impasse, que são: a negligência governamental e influência usurpável do capitalismo.
Sob esse viés analítico, a antropóloga brasileira Lilia Schwarcz denota que há, no território nacional, a prática de uma política de eufemismos, em que esferas pertinentes para o bom funcionamento da máquina pública são suavizadas, ao não receberem a visibilidade necessária. A essa linha de raciocínio, nota-se que as obras artísticas públicas, que abarcam a historicidade nacional, são invisibilizadas pela União, ao resultarem em uma conjuntura de retração na valorização da culta brasileira. Desse modo, a população, que já visualiza o descaso governamental com a banalização dos patrimônios, dá continuidade à essa conjuntura nefasta.
Por conseguinte, o capitalismo, sistema socioeconômico vigente na maior parte do mundo, acelera as relações sociais, assim como a interação com todos os espaços e elementos nacionais. Acerca disso, o filósofo polonês Zygmunt Bauman propõe o conceito de “modernidade líquida”, explicando que o ser humano habituou-se a viver de forma acelerada e inconsciente, o que torna os convívio e ações superficiais. Nesse quadro, há uma relação intrínseca entre o capitalismo e a aceleração da coletividade, que provocam a dispersão da coletividade para o que é relevante culturalmente e historicamente, em que muitos não tem tempo de ter uma comunicação e uma análise dos elementos que interagem com sua civilidade.
Logo, urge que o Governo Federal, aliado ao Ministério da Cultura, promova campanhas que estimulem a valorização dos patrimônios da pátria, por meio de um “Projeto de Preservação da Cultura e da Historicidade artísticas”. Essa ação será realizada com o fito de reduzir a invisibilidade e a deterioração de patrimônios, ao tornar os papéis sociais elencados por Goffman compartilháveis.