Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil

Enviada em 01/08/2023

“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. A afirmação, atribuída ao escritor equatoriano, Juan Montalvo, se encaixa facilmente aos desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil, visto que é justamente o sentimento de indiferença da população e do governo a esses bens que cristaliza essa problemática no corpo social brasileiro. Assim, torna-se claro que esse pano-rama surge da negligência governamental. Desse modo, atuam agravando o qua-dro central não só a mentalidade capitalista como também a falha educacional.

Em primeiro plano, percebe-se como a concepção desenvolvimentista consolida os impasses para a manutenção desses patrimônios no país. Isso acontece, devido à ênfase na busca pelo lucro e ao valor atribuído ao desenvolvimento econômico, muitas vezes em detrimento da conservação da propriedade cultural. Dessa forma, áreas e edifícios importantes podem ser demolidos para dar lugar a empreendi-mentos imobiliários mais lucrativos. Exemplo claro disso é a região da rua 25 de Março, em São Paulo, local que possuía significado histórico e tradicional, que foi adaptado para o comércio, perdendo parte de sua identidade original.

Além disso, fica claro que o hiato educativo contribui para essa problemática. Essa situação surge porque os currículos escolares não abordam de forma ampla o valor da conservação das riquezas culturais, o que leva a uma compreensão limi-tada sobre a relevância e a necessidade de preservar esses bens. Tal raciocínio ganha força na análise do educador Paulo Freire, na obra “Pedagogia do Oprimido”, ao afirma que o aparelho educacional brasileiro condiciona o indivíduo a repro-duzir comportamentos culturalmente estabelecidos. Logo, nota-se que o descaso com a herança brasileira também é condicionada pelo sistema de ensino.

Portanto, diante da situação exposta, a Sociedade Civil Organizada deve pressio-nar o governo federal a adotar políticas mais efetivas de preservação, por meio de petição que cobre do Estado o fortalecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, garantindo autonomia e mais capital para o sua devida manu-tenção, além de fiscalizar projetos e promover palestras nas escolas. Com o obje-tivo de evitar que o lucro seja posto em primeiro lugar e construir a importância do assunto no corpo social desde a base. Assim, eliminando a indiferença supracitada.