Os desafios para a preservação de patrimônios históricos e culturais no Brasil
Enviada em 11/08/2023
O poeta Gonçalves Dias exprime, em “Canção do Exílio”, o patriotismo e o saudosismo em relação à sua terra natal - uma alusão ao pertencimento territorial e cultural do romancista à terra de origem. Paralelamente, no Brasil, a identidade do povo brasileiro está intrisicamente ligada ao patrimônio histórico nacional, promovendo-se o senso de pertencimento. Com efeito, atuam como desafios para a preservação desse patrimônio a negligência dos gestores públicos e da sociedade, resultando na perda de diversidade cultural e identidades únicas.
Diante desse cenário, existe a falta de promoção de políticas públicas a fim de preservar o patrimônio histórico cultural. Sob esse viés, a negligência do poder público cria um vácuo de proteção, permitindo que a passagem implacável do tempo corroa a rica herança cultural brasileira, monumentos históricos são perdidos, tradições culturais esquecidas, línguas ancestrais perdidas no silêncio. O esquecimento é uma sina para o que deveria ser o alicerce do progresso. Dessa forma, segundo Simone de Beauvoir “É preciso erguer o povo à altura da cultura e não rebaixar a cultura ao nível do povo”, portanto, a falta de políticas públicas eficazes nesse sentido é uma omissão prejudicial, um descuido que nega às futuras gerações a riqueza de suas raízes.
Em segundo lugar, vale salientar que a perda do patrimônio cultural vai de encontro a concepção do indivíduo pós-moderno. Isso dado que, segundo o filósofo pós-estruturalista Stuart-Hall, o sujeito inserido na pós-modernidade é dotado de múltiplas identidades. Por essa razão, a perca do aspecto cultural acaba por limitar as perpectivas da sociedade, que mergulha profundamente em uma efêmera cultura de consumo de massa, segundo Zygmunt Bauman, o qual também afirma que a cultura na “modernidade liquida” se limita a um poderoso mecanismo de distinção social e de formação de consumidores.
Portanto, é essencial que o governo mitigue os desafios supracitados. Para isso, os Ministério das Cidades e da Cultura, devem estabelecer políticas claras e abrangentes de preservação do patrimônio cultural, por meio da alocação de recursos adequados para a conservação, assegurando que nossas ricas tradições continuem a inspirar e enriquecer as futuras gerações.